Delegado baleado na cabeça recebe alta médica após mais de um mês internado

Thiago Selling da Cunha foi atingido por criminosos em agosto durante o cumprimento do serviço em Guarujá (SP). Ele passa por fisioterapia para se recuperar.

O delegado da Polícia Federal Thiago Selling da Cunha, de 40 anos, que levou um tiro na cabeça em serviço, em Guarujá, no litoral de São Paulo, teve alta após mais de um mês internado. Conforme apurado neste sábado (30), ele faz fisioterapia e se recupera em casa, na capital.

Ele foi baleado por criminosos durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão. O projétil fraturou o osso acima do globo ocular, e a vítima precisou ser submetida a cirurgia no Hospital Santo Amaro, na cidade em que foi atingido.

Durante o procedimento, segundo parecer médico, ele teve perda de massa encefálica. No dia seguinte ao crime, o policial foi transferido de helicóptero ao Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.

A reportagem apurou que Cunha teve alta do hospital na quarta-feira (27), mas precisa retornar à unidade com frequência para fazer exames e procedimentos devido à complexidade do caso. Além disso, ele faz fisioterapia todos os dias.

A Polícia Federal (PF) confirmou a alta, mas não deu detalhes sobre o estado de saúde do delegado. O Hospital Sírio Libanês, por sua vez, informou que não tem autorização para dar detalhes sobre o boletim médico do paciente.

Sindicato

O Sindicato dos Policiais Federais em São Paulo (SINPF/SP), em nota assinada pela presidente Susanna do Val Moore, informou que enxerga com otimismo a alta hospitalar do delegado que teve ferimentos graves após ser baleado por criminosos.

“É de causar indignação que um policial no Brasil seja recebido a tiros enquanto exerce seu trabalho e isso seja considerado corriqueiro, sem sequer que haja qualquer manifestação por parte de autoridades e de instituições”.

E continua: “É questionável, ainda, a ausência de políticas públicas que acolham e protejam mais os homens e as mulheres que fazem parte das forças de segurança do país durante o cumprimento do dever”, diz o comunicado.

O SINPF pediu apoio do estado e das instituições para que situações como a que quase matou Thiago sejam evitadas no País. “É preciso, afinal, diferenciar direitos humanos de falta de humanização e de piedade de criminosos quando estes têm como alvo um policial”.

Delegado Thiago Selling da Cunha está na Polícia Federal há 13 anos — Foto: Reprodução

Delegado Thiago Selling da Cunha está na Polícia Federal há 13 anos — Foto: Reprodução

Quem é

O delegado Thiago Selling da Cunha tem uma carreira de 13 anos na Polícia Federal (PF). Ele é o chefe substituto da Delegacia de Repressão a Crimes Contra do Patrimônio e Tráfico de Armas (Delepat), na capital paulista.

Cunha começou a carreira na PF como escrivão de polícia em 2010 e, após quatro anos, tornou-se delegado e entrou na Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF).

O primeiro trabalho dele na PF foi no Pará (PA). Em seguida, ele foi para São Paulo, onde é tesoureiro suplente da diretoria da regional de São Paulo da ADPF.

Entenda o caso

O delegado foi baleado na cabeça durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão em Guarujá, no litoral de São Paulo, no dia 15 de agosto. Segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), Cunha atuava na Operação Caeté, que tinha apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em Guarujá.

Cunha foi atingido durante a tentativa de fuga de dois criminosos. Os demais policiais revidaram os disparos e um dos homens foi atingido na perna. Segundo a PF, ambos foram presos em posse de uma submetralhadora, uma pistola, dinheiro e drogas.

A Polícia Federal informou que a dupla foi autuada por tentativa de homicídio, tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo. A Justiça Federal determinou a conversão da prisão em flagrante para preventiva dos suspeitos, identificados como Jefferson dos Santos Pereira e Rafael de Vasconcelos Batista da Silva.

A decisão foi do juiz federal Mateus Castelo Branco Firmino da Silva, após audiência de custódia de Jefferson dos Santos Pereira. Segundo o documento obtido, Rafael não compareceu ao julgamento pois estava internado no Hospital Santo Amaro, em Guarujá, uma vez que foi atingido por um tiro na perna durante o confronto com os policiais.

Armas encontradas com criminosos que atiraram contra Policial Federal no litoral de SP — Foto: Polícia Federal

Armas encontradas com criminosos que atiraram contra Policial Federal no litoral de SP — Foto: Polícia Federal

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