Mulher sem os ovários engravida após ganhar inseminação artificial: ‘vivendo um sonho’

Marido da professora Adriane Balbino prometeu ir a pé de Santos até Aparecida do Norte (SP) caso alguma clínica de reprodução humana custeasse o tratamento para que esposa realizasse sonho de engravidar.

Uma professora de Santos (SP), de 38 anos, que não podia engravidar de forma natural por não ter os ovários, ganhou uma inseminação artificial após uma promessa inusitada do marido. Agora, ela está grávida de 36 semanas (9 meses). Adriane Balbino contou que está ansiosa pelo nascimento da filha Augusta. “A gente está vivendo um sonho maravilhoso”.

O mecânico Sillas Balbino, de 36 anos, com quem Adriane é casada desde 2008 publicou nas redes sociais os problemas vividos pelo casal e o sonho da esposa. Ele garantiu que iria a pé de Santos a Aparecida do Norte (SP) caso alguém custeasse o tratamento à mulher — ela teve que tirar um ovário aos 16 anos e outro em 2023, quando descobriu novo nódulo (veja mais abaixo).

“É um custo muito alto. Para a gente, que não tem essa condição, é um sonho muito distante”, disse Adriane, que teve a publicação do marido vista por uma embriologista [profissional que atua com medicina reprodutiva]. A profissional avisou a dona da clínica em que trabalha, e ela pediu para o casal entrar em contato.

A ligação resultou em um encontro na clínica Progerar, que garantiu o procedimento. O casal descobriu a gravidez em outubro do ano passado. Agora, enquanto se preparam para o nascimento da Augusta, em Junho, Sillas também se prepara para cumprir a promessa.

“A gente está vivendo um sonho maravilhoso. É uma sensação de confiança, de gratidão, sabe? De que nada é impossível quando você tem determinação”.

Clínica viu a publicação de Sillas prometendo ir à pé de Santos até Aparecida do Norte (SP) e ofereceu tratamento gratuito ao casal — Foto: Arquivo Pessoal

Clínica viu a publicação de Sillas prometendo ir à pé de Santos até Aparecida do Norte (SP) e ofereceu tratamento gratuito ao casal — Foto: Arquivo Pessoal

Problemas nos ovários

Antes mesmo de decidir que gostaria de ser mãe, quando ainda tinha 16 anos Adriane descobriu um cisto no ovário esquerdo, que cresceu e estourou. Ela passou por uma cirurgia de emergência para a retirada do órgão.

Passados alguns anos, e mesmo casada, levou um tempo para o casal pensar em filhos. O primeiro passo era construir e organizar a própria casa. Em 2010, depois de dois anos de união eles resolveram dar o próximo passo, mas as coisas não saíram como imaginaram.

A dificuldade em engravidar fez com que Adriane procurasse outro médico em 2016. Após exames descobriu problemas hormonais, que foram tratados, mas, mesmo assim, não conseguia chegar ao objetivo.

A mulher passou por vários outros exames e, em cada um deles, uma nova suspeita, inclusive de endometriose. Em 2021, realizou uma ressonância e descobriu um nódulo no ovário direito, mas, apesar do encaminhamento cirúrgico, estava com anemia e precisou resolver essa questão antes de dar andamento ao tratamento.

Professora, de 38 anos, perdeu os ovários após doenças ginecológicas e realizou sonho de engravidar após ganhar inseminação artificial em Santos (SP) — Foto: Arquivo Pessoal

Professora, de 38 anos, perdeu os ovários após doenças ginecológicas e realizou sonho de engravidar após ganhar inseminação artificial em Santos (SP) — Foto: Arquivo Pessoal

Cirurgia de urgência

Resolvida a questão da anemia, o médico a encaminhou para um cirurgião, que solicitou a operação de urgência. Adriane sofreu um novo baque, principalmente porque a mãe havia acabado de se curar de um câncer.

“Só liguei para meu esposo e comecei a chorar. Quando ele falou nódulo, já veio essa doença ruim [câncer] na minha mente. Meu chão caiu”, disse a futura mamãe, que fez a cirurgia para retirada do órgão em janeiro de 2023 e enfrentou depressão.

Corrida curou a depressão

Adriane e Sillas entraram para grupo de assessoria de corrida após a professora perder o segundo ovário — Foto: Arquivo Pessoal

Adriane e Sillas entraram para grupo de assessoria de corrida após a professora perder o segundo ovário — Foto: Arquivo Pessoal

Com o quadro de depressão, Adriane não queria sair de casa. A situação mudou quando o marido foi indicado por amigos a uma assessoria de corrida, e ela começou a praticar o esporte com Sillas.

A promessa, no entanto, foi do marido, que tem sido acompanhado pela professora da assessoria nos treinos de fortalecimento para que ele aguente os 300 km de caminhada de Santos a Aparecida do Norte, uma jornada que deve durar 5 dias.

“Tudo é possível. Basta a gente ter determinação, correr atrás e as portas se abrem. Sempre vão ter pessoas boas no nosso caminho”, disse ela, Adriane, que hoje quer servir de inspiração.

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